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12
Jan 08
LISBOA DIZ SER LAMENTÁVEL AUSÊNCIA DA MODALIDADE NA LUSOFONIA
Há má vontade dos dirigentes
para com o hóquei em patins



Regressou de férias e já sabia da má noticia da não inclusão do hóquei em
patins nos Jogos da Lusofonia, que se irão realizar em Portugal, em 2009.
Alberto Lisboa, treinador da selecção de Macau, fez um balanço da presença
no Asiático e volta a reclamar condições para a modalidade não se perder

Vítor Rebelo
rebelo20@macau.ctm.net


Alberto Lisboa está em Macau há vários anos, depois de ter jogado em
Portugal em clubes secundários, mas a sério. Recentemente foi campeão pela
quinta vez como jogador e quarta também como treinador. Gozou, depois do
campeonato na Índia, alguns dias naquele país e foi passar o Natal a
Portugal, onde deu uma entrevista ao jornal Record.
“Parti a loiça toda, ou seja, disse o que achava do momento do hóquei em
patins a nível internacional”, começou por referir ao PONTO FINAL, para
continuar: “Acho que os portugueses têm uma boa quota parte da culpa pelo
estado actual da modalidade. A mentalidade dos dirigentes em Portugal terá
de mudar, sob pena da selecção nacional continuar a não ter hipóteses frente
a países como a Espanha, que tem um projecto mais sério.”
Mesmo assim, em termos gerais, salienta Lisboa, “penso que os países
europeus se esquecem dos outros, ou seja, dos mais fraquinhos. Qualquer dia
estão a jogar sozinhos, entre eles. E é precisamente por isso que, noutros
continentes, caso concreto do nosso, o asiático, o interesse pelo hóquei em
patins tem vindo a diminuir.”


Desporto com tradições
fica fora da lista


Vem isto a propósito da mais recente noticia de que o hóquei em patins foi,
mais uma vez, afastado dos Jogos da Lusofonia (já o tinha sido na edição de
2006 em Macau). Lisboa reage: “É uma questão de bom senso. Então uma
modalidade que tanto diz aos países lusófonos não é escolhida para a
competição, onde estão nações com tradições no hóquei, como são os casos de
Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, Macau? Ainda por cima com a prova a
ter como palco Portugal? Acho que isto tem mais a ver com má vontade de
certos dirigentes em relação ao hóquei em patins. Com todos estes dissabores
é natural que a modalidade vá caindo, por todo o lado, talvez com a excepção
da Europa. Mas lá está, qualquer dia estão eles a jogar só entre eles.”
Segundo as notícias que surgiram na comunicação social, o hóquei em patins
foi preterido pelo judo, no lote de desportos para os Jogos da Lusofonia de
2009, a disputar em Lisboa.


Presidente da Patinagem
estranha decisão


O presidente da Federação Portuguesa de Patinagem, Fernando Claro estranhou
a decisão da ACOLOP, recordando que “o hóquei em patins foi a modalidade que
mais títulos deu a Portugal. Este dirigente fez chegar uma missiva ao
secretário de estado do desporto sobre o interesse da inclusão do hóquei em
patins, alegando “interesse desportivo e cultural”. Mas quem teve o poder de
decidir escolheu o judo.
O presidente do Comité Olímpico de Portugal e também membro da ACOLOP,
Vicente Moura, já respondeu a algumas críticas, referindo que para além do
hóquei em patins, também judo, canoagem e natação estavam à espera de entrar
na lista para os Jogos da Lusofonia.
Para além disso, disse Vicente Moura, “as modalidades a incluir têm de ser
praticadas por pelo menos 60 por cento dos países que pertencem à ACOLOP.”


Não há um verdadeiro
Campeonato do Mundo


Aqui por Macau a “família do hóquei em patins” ficou mais uma vez
desiludida, aqui transmitida pelo seu treinador principal.
Voltando ao momento actual do hóquei, a nível mundial, Alberto Lisboa diz
que o sistema tem de mudar para que haja um verdadeiro Campeonato do Mundo,
como aconteceu em 2004 quando Macau esteve entre a elite mundial, onde
participaram quase todos os continentes. “Não se compreende como o campeão
de cada um dos continentes não tem presença assegurada no Grupo A. E não
venham com as desculpas dos resultados desnivelados. Sempre houve a continua
a haver.”
“O hóquei em patins, pode dizer-se, não é uma modalidade barata, e por isso
muitos países têm dificuldades financeiras. Mas porque razão os mais fortes
não mostram disponibilidade para ajudar? Assim vai ser cada vez mais
complicado surgirem novos países.”
E o que é certo é que o continente asiático já teve mais gente a praticar a
modalidade. No recente Campeonato da Ásia, realizado em Novembro em Calcutá,
na Índia, só se inscreveram cinco selecções (Macau, Japão, Taiwan, Paquistão
e Índia). Dos que também praticam o hóquei, estiveram ausentes Coreia do
Sul, Coreia do Norte, República Popular da China, provavelmente todos por
falta de apoios financeiros.


Jogadores de Macau
perdem competitividade


Com este panorama o hóquei em patins está cada vez mais afastado de ter
qualquer hipótese de entrar nos Jogos Olímpicos. E quando tem havido
oportunidade para o relançar, as oportunidades têm-se perdido, como é este
caso dos Jogos da Lusofonia e foram igualmente os Jogos Asiáticos em recinto
Coberto, efectuados o ano passado em Macau.
No que diz respeito à selecção do território é pena que Lisboa, Ricardo,
Almeida e companhia, não possam estar presentes na capital portuguesa, em
2009, onde poderiam dar uma boa imagem da qualidade do hóquei que tem
praticado no continente asiático, com títulos atrás de títulos.
Assim, o hóquei em patins da RAEM só tem, em termos frequentes, duas
possibilidades de sair ao exterior, o Asiático e o Mundial do Grupo B. De
resto, vai efectuando umas partidas em casa e treinando quando pode, tanto
no sector masculino, como no feminino.
Como é lógico, os homens estão mais evoluídos, mas há evolução evidente das
meninas, “muito por culpa das participações internacionais”, como disse o
treinador Alberto Lisboa.


Asiático dificultado
por factores alheios


Quanto aos rapazes, o técnico já “esqueceu” a vitória na Índia, tendo-a
considerado mais complicada (e por isso saborosa) pelas adversidades
encontradas em termos de piso, transportes cansativos em péssimas estradas,
comida que não era a ideal para quem estava em competição. “Daí que não
tivéssemos aplicado toda a nossa técnica, acabando por gerir os resultados.
Éramos sem dúvida a melhor equipa.”
Depois do título, mais um, sendo o hóquei em patins a única modalidade que
traz campeões asiáticos de regresso a casa, pensa-se no futuro imediato:
“Vamos ter de reflectir sobre tudo isto e pensar nos próximos tempos. Irei
ter uma conversa com o presidente da Associação de Patinagem, António
Aguiar, para saber o que vamos fazer no imediato,” declarações do
treinador-jogador que ainda não decidiu se colocará um definitivo ponto
final na carreira de jogador da selecção. “Sinto para já que a minha
presença na equipa ainda é útil, mas há-de chegar a altura em que a selecção
jogará sem mim. Só lamento que haja alguma inveja de certas pessoas pelo
facto de eu estar a jogar.”


Faltam valores de futuro,
Mundial B com ambições


Lisboa considera que Macau tem selecção com um bom nível até 2010/2012,
depois disso é uma incógnita. Tudo vai depender do que aparecer em termos de
novos valores, mas temos de ser realistas, neste momento não há jogadores
para assegurar o futuro do hóquei em patins.”
“A presença no Asiático deu para lançar mais alguns novatos (João Cardoso e
Edgar Rodrigues) e mostrar que a equipa feminina, só evolui se disputar
muitas provas deste género. Sentimos que está a progredir de jogo para jogo,
mesmo com muitas derrotas.”
Uma palavra final para o Mundial do Grupo B, que se irá realizar este ano
(Outubro) na cidade sul-africana de Joanesburgo, onde Macau volta a ter
legítimas aspirações à subida. Recorde-se que falhou por pouco (derrota por
3-2 com a Colômbia no encontro decisivo) a terceira posição no último
mundial, no Uruguai, em 2006.
“Temos equipa para fazer bons resultados. O núcleo duro da selecção está a
actuar em conjunto desde 2003/2004 e esse entrosamento é muito importante.
Só continuo a lamentar o facto de não termos um pavilhão mais ao nosso
dispor. Poderíamos de facto fazer coisas ainda melhores no hóquei em
 patins.”

publicado por tecnico-tactica-hoquei às 16:49

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